MOVIMENTO VIDA - CONSIDERAÇÕES
Apesar da crise moral em que vivemos, onde o “ter” possui muito mais expressão do que o “ser”, fazendo com que o consumo desenfreado se torne o grande vilão do desejo de possuir mais do que se precisa, existe uma crescente ação desinteressada, representada pelo voluntariado, que aumenta a cada dia para sorte e alívio dos necessitados.
Sem embargo, existe uma outra atitude do voluntariado -a que prega o assistencialismo puro, que trata dos problemas sociais como a fome, a seca, a habitação, o frio, as enfermidades, entre outras, que apesar de sua importantíssima e legítima necessidade, é incompleta no seu escopo, pois se resume a um caráter circunstancial e emergencial, se esquecendo de oferecer reais oportunidades de mudança para o indivíduo, bastante fragilizado por tais dificuldades.
É preciso diferenciar entre a idéia de solidariedade e a do assistencialismo. Este tem por trás uma consciência que nunca reconhece o assistido como sujeito igual a quem faz assistência. Diferentemente, a solidariedade aparece como imperativo ético, que não admite o outro em situação de inferioridade e desigualdade humana. Na solidariedade se estabelece uma relação social baseada em direitos. No assistencialismo, a relação é de favor, entre desiguais.
Anteriormente o voluntariado tinha um caráter assistencialista; hoje está adquirindo, com rapidez, a conotação de um despertar para a cidadania. A ação voluntária atual está associada a um tipo de solidariedade mais acorde com conceitos de justiça social e responsabilidade cidadã.
Este voluntariado consciente, por outro lado, busca alternativas que não se baseiam apenas na solução imediata dos problemas, mas na criação de formas nas quais o indivíduo possa aprender e utilizar ferramentas de valorização interna, procurando sua inclusão social, ensinando o caminho, mostrando como fazer, capacitando para a ação de maneira organizada, incentivando e acreditando no ser humano e evitando em todo momento de ‘executar' tarefas pelo outro, o que resultaria em uma condição de acomodação e dependência futura.
As políticas tradicionais do poder público para assistir os segmentos sociais mais desfavorecidos da sociedade são, na maioria das vezes, assistencialistas, quer dizer que a ação se realiza sem o mínimo estímulo educativo no sentido de diminuir -no futuro- a necessidade de amparo público às comunidades assistidas, sem levar em conta a dignidade e auto-estima das pessoas envolvidas, sua inclusão social, sua potencialidade artística e cultural e sua necessidade real de liberdade social. Caracterizada como ‘auxílio' e não como direito cidadão, determina uma reciprocidade que se configura em dominação por parte dos governos, produzindo como resultado seres humanos fracos e fáceis de manipular. O desenvolvimento do terceiro setor, ou setor não-lucrativo da economia, procura criar espaços novos para a participação de todos nas soluções dos problemas comunitários. Neste caminho atua o Movimento Vida.
Considerações Finais
O Movimento Vida em 12 anos de existência já atendeu mais de 10.000 (dez mil) pessoas que vivem em bolsões de pobreza, impedidos social e geograficamente de atenção na área da saúde pública, tendo como objetivo o atendimento não só curativo mas também de promoção e prevenção á Saúde, prestando serviços médicos, odontológicos e laboratoriais de forma itinerante.
Para que o objetivo deste projeto seja alcançado é necessário estimular a parceria de empresas da iniciativa privada, que possam disponibilizar suas instalações e serviços, além da doação de equipamentos médico-odontológicos, e também de contribuições financeiras para viabilizar um maior atendimento à população. Igualmente são indispensáveis os profissionais voluntários da saúde, tanto in loco como em seus próprios consultórios para atendimento de casos mais complicados e que possam requerer equipamentos especiais não disponíveis no ônibus, e os do âmbito social, que possam colaborar na difusão da educação para a saúde e outras atividades requeridas pela comunidade.